17 de jun. de 2013

Atos em SP e no Brasil: um guia de como ajudar a distância


Desde quinta-feira, me alimentar e dormir se tornaram necessidades secundárias. Deve ter sido o mesmo para muitos brasileiros, que estão vidrados na quantidade estonteante de informações sobre os protestos que chegam pelas redes sociais na última semana. A diferença é que eu estou a quase 10 mil quilômetros de distância daí.
Mesmo de Berlim, é difícil não se contagiar pelo zeitgeist atual no Brasil. Como jornalista, a vontade de compartilhar o maior número de informações possíveis via blog, Facebook e Twitter me tomou nesses últimos dias. Transformei a mesa da cozinha em uma bancada de redação, cercada por câmera, cabos, smartphone, meu laptop, e afirmo: dá pra ajudar, mesmo estando de longe. Além das dezenas de manifestações marcadas nas cidades europeias (a de Berlim aconteceu ontem, por exemplo), dá pra ajudar as pessoas a se informarem melhor usando seus canais nas redes sociais.
E pra fazer isso, não é preciso ter diploma de jornalismo. A maior prova é o número assustador de Tumblrs, blogs e fanpages que surgiram nos últimos dias, todas focadas em concentrar conteúdo produzido independentemente. Na verdade, tudo o que você precisa para se tornar um curador independente de conteúdo sobre os protestos é saber olhar no lugar certo, seguir as pessoas certas e saber equilibrar critério e interesse público: isso é, você precisa avaliar eticamente se aquilo que você leu tem uma chance alta de ser verdade, munido de alguns mecanismos de checagem, e também avaliar qual é a relevância daquela informação para seus seguidores .
Dá uma olhada nas principais ferramentas que você pode usar se não puder ou não quiser ir pra rua e ainda assim quiser ajudar as pessoas a se informarem sobre o que está acontecendo:
“Você vai precisar de”:
  • Tanto faz o que você tem à mão: laptop, celular ou tablet. Os dois últimos são menos práticos durante as coberturas em momentos de protestos, em que a informação chega com uma velocidade impressionante e talvez seja fácil se perder no meio da leitura e apuração.
  • Uma conexão estável e rápida de internet, obviamente, é fundamental.
  • Um telefone ou um Skype com créditos também podem vir a ser importantes caso você precise ligar pra algum amigo para confirmar informações.
Tire proveito da sua área de conhecimento e use as redes sociais
  • Tumblrs e blogs são fáceis de criar, e você sempre pode usar seus canais nas redes sociais. Se esse for o caso, só não esqueça de tornar seus perfis no Facebook e no Twitter ‘públicos’.
  • Advogados podem produzir material de orientação jurídica. Designers podem produzir pôsteres. Programadores podem ajudar a organizar o fluxo de informações criando aplicativos para isso. Basta vasculhar os campos de comentários para encontrar pessoas cheias de dúvidas. Se você souber respondê-las ou souber onde buscar as respostas, ajude-as. Não espalhe informação incerta, no entanto.
Como encontrar a informação:
  • O grupo Anonymour BR prometeu transmitir, via 3G, os protestos em SP ao vivo. O link é esse aqui:http://www.livestream.com/anonymousBR
  • No Facebook e no Twitter, não há uma tag unificada. Mas as que estão geralmente sendo usadas é #protestosp, #protestorj e assim por diante. Outras são #passelivre e #vaisermaior. É importante lembrar que o Twitter é sempre mais rápido na hora de transmitir informação, então durante os protestos, os relatos sempre chegam mais rápido por ele.
Como ajudar se você estiver longe, mas não tão longe:
  • Se morar nos entornos das manifestações, abra seu Wi-Fi. O uso de 3G na região provavelmente ficará congestionado e isso pode dificultar o upload de conteúdo pelos manifestantes.
  • Se estiver realmente muito perto, vale tentar produzir conteúdo filmando da janela.
  • Se quiser apoiar os manifestantes, um pano branco ou uma bandeira do Brasil na janela na janela vão funcionar: são esses os símbolos que estão espalhados pela internet como apoio de quem vai ficar em casa.
  • Manifestantes e policiais podem precisar de garrafas de água, vinagre, abrigo e até uma tomada em situações extremas. Se você estiver disposto, ajude.
Critérios e ética: não saia publicando tudo
  • Seja criterioso ao compartilhar informações. Antes de dar “share”, veja se você confia no post (foi postado por um amigo ou por um desconhecido?) e tente fazer uma busca em vários canais, cruzando dados, pra ver se encontra relatos de outras pessoas confirmando o que foi postado. Sair clicando em “compartilhar” sem critério pode facilitar a desinformação e atrapalhar aqueles que estiverem buscando ajuda através das redes sociais.
  • Antes de publicar, pense: “isso pode ajudar alguém?”. Vale pensar duas vezes antes de publicar links que incitem o ódio e a violência, que confundam a polícia ou os manifestantes
  • Sempre que possível – de preferência, sempre – faça referência à fonte onde você encontrou o material. Capturas de tela (os print screens) também funcionam. No Twitter e no Facebook, usem a @. Se o material não for seu, coloque o texto entre aspas e dê crédito. Não se trata de direitos autorais, mas de poder rastrear quem produziu a informação inicialmente caso alguém precise colher dados mais precisos em seguida.
Qualquer apoio vale
  • Lembre as pessoas de porque é importante e nobre que elas estejam saindo às ruas para lutar por um país melhor, o quão fundamental é que elas cuidem de si mesmo e dos outros e garantam que a manifestação continue pacífica. Valem imagens, vídeos e qualquer coisa. Pode parecer que não, até pra mim, mas muita gente fica tocada recebendo o apoio de quem está distante. Não se sinta menor porque você não pode sair à rua, seja qual for o motivo – medo também vale: demonstre seu apoio como puder e arme sua rede de contato de informações.

Matéria original retirada do site: Revista Galileu

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