As oposições na Bahia correm o claro risco de perder tempo precioso por conta dos principais partidos em não definir quem será o seu candidato a governador nas eleições e desperdiçar a oportunidade ímpar de derrotar o PT, no momento de pior índice popular, devido a impopularidade do governo Wagner e sua administração nos últimos sete anos e, principalmente, por ser o pré-candidato, Rui Costa, um ilustre desconhecido no cenário político da Bahia: um “poste”, como diria Lula.
Mas, enquanto Rui Costa começa a aglomerar em torno do seu nome, petistas de vários calibres, uni-fi cando as dezenas de cor-rentes que sempre brigaram entre si dentro da sigla, as ditas oposições se digladiam para descortinar o nome do candidato que comandará o processo eletivo, mas não conseguem chegar a qual-quer definição, numa perda de tempo imponderável, de se apoderar de uma base po-pular que pudesse chegar ao eleitor comum e, com isso, atingir o objetivo de eleger o seu candidato e destronar o PT na Bahia.
O ex-ministro Geddel Vieira Lima deveria ou poderia ser o nome de consenso, caso as vaidades partidárias e interesses contrastantes, futuros e presentes, não dificultassem a escolha, muito embora os oposicionistas não cheguem a apre-sentar as devidas razões para o impedimento de sua candidatura.
O diálogo travado com o comandante natural da campanha, por não ter interesse em deixar a Prefeitura de Salvador nesse quase principio de mandato, foi muito esclarecedora, chegando ACM Neto a manter uma conversa com Michel Themer e a afirmar que Geddel Vieira Lima seria o candidato das oposições, devido a Paulo Souto, inicialmente, não se sentir disposto a enfrentar uma dura campanha, após perder duas eleições para Jaques Wagner.
No PSDB, João Gualberto não conseguiu alçar o esperado vôo, mesmo servindo de bandeira, e de palanque, para o deputa-do Jutahy Magalhães, que vislumbra, simplesmente, a mais um mandato e precisa se mostrar forte e competitivo, mesmo sabendo que a sua força política não reflete aquilo que pensa de si próprio, apenas o Narciso da fábula que busca no “espelho meu” a resposta de “ser o mais bonito” dentro do ninho tucano, sem to-mar conhecimento de que o PSDB da Bahia perdeu o antigo status, quando elegeu quatro deputados federais, e ousava lançar-se candidato ao governo da Bahia, pois o espelho mágico ainda não percebeu que Antonio Imbassahy começa a ocupar, nacionalmente, o espaço de relevância que era de Jutahy Magalhães, atual “mandatário” da sigla, que decide o que o PSDB deve fazer, desde que seus interesses não sejam contrariados.
O desperdício de tempo, no entanto, e a fal-ta de estratégia política das oposições criam embaraços para a campanha de Aécio Neves, na Bahia, quando deveria fortalecer o tucano--mor, deixando-o livre para outras negociações dentro do próprio PMDB, buscando novos aliados insatisfeitos com a conduta do PT em outros estados, e fortalecendo, ainda mais, a trajetória do ex-governador de Minas na busca da vitória.
A fi la anda e, depois, não haverá tempo para arrumar os caminhos espinhosos da política, a partir de uma divisão de forças. Desgarra-dos, sem condições de reavaliar possíveis erros, tucanos e democratas da Bahia já de-vem saber que a única perspectiva de vitória passa pela união partidária, sem com-prometer a aliança de PMDB, DEM e PSDB, além de outros partidos, sem vaidades eriçadas, que não leva a lugar nenhum, a não ser chorar o leite derramado por falta de uma engenharia política que pudesse proporcionar a abertura de novos tempos para as oposições na Bahia.
Artigo do jornalista José Adervan postado originalmente na Coluna Livre do Jornal Agora
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