Ameaças de quadrilhas fraudulentas, assédio moral e falta de condições de trabalho motivaram a paralisação dos médicos peritos do Instituto Nacional de Serviço Social (INSS), nesta terça-feira (13), em Salvador e no interior do Estado. Na capital baiana, pacientes agendados voltaram para casa, sem previsão de novo agendamento. Reunidos na agência da Previdência Social do Comércio, os peritos do INSS fizeram uma manifestação para divulgar as dificuldades enfrentadas pela classe, que vão desde a ausência de materiais básicos de higiene até a falta de limpeza e sucateamento das unidades.
“Chegamos ao nosso limite. Estamos trabalhando sem aparelhos básicos como estetoscópio. As agências estão sem limpeza há meses, por conta do atraso do pagamento das empresas terceirizadas”, desabafa a médica Maria Elizabete, que trabalha na agência de Brotas. Segundo ela, na unidade tem apenas um tensiômetro – aparelho utilizado para aferir a pressão arterial – para atender a 14 consultórios. “São deficiências que atrapalham não só o trabalho do perito, mas principalmente, afetam a dignidade dos trabalhadores que precisam da atenção do INSS”, continuou a perita.
Além do sucateamento das agências, os profissionais também se queixam da falta de segurança. Segundo eles, falta esclarecimento de boa parte da população sobre as regras para a liberação dos benefícios e isso acaba expondo os peritos ao perigo. “As pessoas não entendem que muitas vezes a suspensão ou mesmo a não liberação do benefício social são negativas feitas pela parte administrativa do INSS e não pelos peritos”, explicou a médica Raiana Almeida. Ela ressalta, no entanto, que os casos de ameaças aos profissionais, geralmente partem de pacientes fraudadores e de quadrilhas especializadas.
Na manhã de ontem, antes de entregarem panfletos com as reivindicações da categoria em frente à unidade doComércio, os filiados ao Sindicato dos Médicos exibiram um vídeo com relatos de profissionais que já passaram por algum tipo de ameaça na execução do trabalho das agências. “Neste momento nós temos um profissional afastado judicialmente das funções no interior do estado. Ele teve a vida da filha e da esposa ameaçadas na porta do colégio da criança”, contou o presidente do Sindimed, Francisco Magalhães.
Os peritos também denunciam a falta de segurança dentro das agências. Segundo eles, os detectores de metais estão desativados há anos e os seguranças contratados são orientados a zelar apenas pelo patrimônio. “O Ministério da Previdência Social tem que acionar os órgãos responsáveis pela nossa segurança. As queixas apresentadas na Polícia Federal não estão adiantando, não surtem efeito nenhum no dia a dia”, continuou a perita da unidade de Brotas.
Atualmente, 600 peritos atendem a todo o estado, 86 em Salvador. De acordo com o Sindicato dos Médicos, o número está muito abaixo da demanda que é crescente, não só na Bahia. O último concurso de admissão de profissionais da categoria aconteceu em 2010.
Em reunião com representantes dos Ministérios da Previdência Social (MPS) e Público Federal (MPF), Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb), Delegacia Regional do Trabalho (DRT), Polícia Federal (PF), Procon e o Sindimed, no final da manhã de ontem, os peritos do INSS relataram as dificuldades encontradas no dia a dia da profissão. A categoria não descarta a possibilidade de greve prolongada, caso as reivindicações básicas não sejam atendidas pelo MPS, órgão do Governo Federal no qual a autarquia está vinculada.
Fonte: Tribuna da Bahia
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